Alan

Desde pequeno eu gosto de histórias. Aprendi a ler mais cedo do que a maioria, e dividia meu tempo entre literatura inapropriada para a minha idade e muitos quadrinhos.

Com o gosto em ouvir histórias vem também o gosto em criá-las, e minha mãe me lembra até hoje do dia em que foi à minha escola para prestigiar um evento de redação infantil e, enquanto algumas paredes vinham recheadas de diversos textos da meninada, haviam reservado uma só pro meu - que tinha lá suas trinta páginas. Gosto de pensar nessa época como meu ápice pessoal.

Lá pro começo dos anos 2000, enquanto estavam todos ocupados estudando para as provas do colégio ou embrenhados em aventuras adolescentes de muita pegação e traquinagens, eu e uns amigos nos reunimos para aproveitar esse climão John Hughes e fazer exatamente outra coisa: jogar D&D. O meu grupo final se constituiu de três integrantes, contando o mestre. Apesar de testes com mais jogadores, ninguém mais conseguia desenvolver o mesmo entrosamento do nosso trio e acabava abandonando as sessões. Não que isso tenha atrapalhado o nosso glorioso jogo, que sobreviveu por bons anos... Afinal de contas, desde pequeno eu gosto de histórias.

Embora continuemos amigos, as coisas mudam na vida, principalmente depois da tragédia que é passar no vestibular. Espalhados por lugares diferentes do mundo, a mais cruel e indigna das consequências dessa separação acadêmica se manifestou no fato de que nunca terminamos nossa campanha. Não se larga uma história pela metade, que sacanagem é essa? Mesmo depois de promessas e algumas tentativas de "revivals", chega um momento na vida de todo homem maduro que ele deve aceitar que cresceu. E é por isso que eu não aceitei essas coisas até hoje, vida, sua cretina.

Abnor é descendente dessa frustração. É passageiramente baseada nessas aventuras que compartilhei com meus amigos, mas como toda boa criança que escreve mais do que deve, eu fiz questão de mudar quase tudo, baseada em fatos reais que talvez aconteceram. Mais do que pra vocês, eu escrevo pra mim essa historinha, e que se tudo der certo vai finalmente ter um merecido final.

Talvez eu devesse ligar pra minha escola para reservar mais paredes?

Dattan

Eu só perguntei pro Alan se ele queria começar uma historia em quadrinho porque eu gosto de desenhar umas figurinhas.

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